Destaque

O tempo das coisas

Pense no tempo…

Pense que os planos que você faz para a sua vida se resumem em uma gestação.

Agora, lembre-se que existem muitos tempos de gestação. Uns 6 cachorrinhos podem nascer em 3 meses, mas um bebê elefante levam-se 12 meses para ver a luz do sol.

Assim também são os nossos planos. Uma ideia, é uma semente que está para germina dentro do ventre.

Ela só crescerá se você a nutrir, diariamente.

Uma mãe, aprende a amar seu bebe muito antes dele nascer. Ela o sente, acaricia, conversa, poe musica. Ela se doa, por completo aquele serzinho ao qual está usando de seu corpo para vir ao mundo.

Os planos e projetos da nossa vida também seguem este processo. Eles precisam da nossa atenção e cuidado. Todos viemos com uma missão a este mundo, descubra e aceite a sua e nutra-a para que ele possa crescer.

Também á os pequenos planos, aqueles que precisam ser para ontem, estes pode ser dizer que é uma gestação menor, ou uma semente de feijão. Não demora, e já está lá dando frutos.

Mas para um bebe elefante nascer, este precisa de mais tempo, mais nutriente e atenção. E precisamos saber a quais projetos estamos dando a devida atenção e alimentação.

Será que estamos vendo e aceitando o tempo de cada coisa? Acredito que não. A ansiedade para ter uma vida comparado a do vizinho é sempre maior que a de ver os seus passos e aceitar que o tamanho dos pés são diferentes.

Todos andamos a passos conforme o tamanho dos nossos pés. E da mesma forma temos nossas pedras e buracos no caminho. Não é por que você não viu o trajeto do outro que ele não tenha seus próprios desafios.

Enfim, conceba e geste seus planos. Aprenda a ama-los, mesmo com medo. Encare. Erre. A mãe nasce com um filho. E se você não se sente pronta, tudo bem. Os seus planos e projetos irão te ensinar, assim como um filho ensina uma mãe a ser mãe.

Beijos de Luz!!

Fran Monteiro

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A Mulher-esqueleto – Pt I

Capitulo V

A Mulher-esqueleto

“Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.

Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu — logo em quê! — nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto.

O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.

O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado à superfície e caía suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos.

— Agh! — gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.

— Agh! — berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia. Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás. Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.

— Aaagggggghhhh! — uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saía correndo agarrado à vara de pescar. E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso à linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou. Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava.

Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou-se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também à todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.

Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela — aquilo — jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro, um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um quê de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.— Oh, na, na, na. — Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos. — Oh, na, na, na. — Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.

Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra —não tinha coragem — para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando.

Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.

A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima à luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo, e pôs a boca junto à lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu, bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.

Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!… Bom, Bomm!

Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.— Carne, carne, carne! Carne, carne, carne! — E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne. Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam. Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro, enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.

As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d’água. As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem.”

Livro: Mulheres que Correm com os Lobos
Clarissa Pinkola

Reescrevendo nossa vida

Olá pessoal!

Um grande sábio me disse recentemente que está na hora de reeditar a minha vida. Saber o que realmente quero para ela, definir o que quero e quem manter ao meu lado. E pensando sobre isso vi que reeditar, reescrever, evoluir, amadurecer a nossa vida nos leva sempre ao mesmo objetivo, que é procurar viver de forma plena e feliz. Por isso resolvi criar este post.

Acredito que podemos sim reescrever a nossa história, editar a nossa vida. Hoje somos aquela foto que tiramos as vezes em um mal ou bom momento, e que achamos que da para jogar um filtro, para corrigir uma imperfeição ou para exaltar a alegria, ambas levam ao fato de que estamos maquiando a imagem que queremos mostrar aos outros, e isso fazemos com a nossa vida no nosso dia-a-dia.

Chega um momento em que isso nos satura e queremos mudar. Queremos mostrar quem realmente somos e deixar de se importar com quem vai gostar ou não. Mas para que isso aconteça é necessário nos munir de muita coragem, pois mudar, automaticamente nos afasta de tudo o que não nos cabe mais. Conceitos pré estabelecidos, crenças, amigos, família… tudo o que não se enquadra com aquilo que você quer ser, se afasta, de uma forma ou de outra. Mas a vida é cíclica, portanto, quando um ciclo acaba outro começa, e quando perdemos algo quer dizer que estamos abrindo espaço para que novas coisas venham até nós.

O vir e o ir esta ligado. E quem mede o nível de ligação é você, e é isso que vai dizer o quanto você esta preparado ou não para deixar ir e estar aberto a receber.

Outro fator muito importante neste processo é a determinação. A vida se encarrega de por tudo em ordem. Mas não podemos deixar apenas na mão dela. Precisamos saber o que realmente queremos e correr atrás. Neste processo, somos guerreiros no campo de batalha com um objetivo especifico, que é vencer.

Nesta luta você é o lutador e também o inimigo. Nós somos os nossos maiores sabotadores. O quanto você está ao seu lado para se olhar e dizer você consegue? O quanto você é fiel a você para reconhecer suas falhas e aprender a supera-las? O quanto você é flexível para saber que errar na verdade é mais um aprendizado? O quanto você se ama para se abraçar e sentir que você é o primeiro que deve estar ao seu lado?

O campo de batalha que vamos todos os dias consiste em lutar com quem somos e quem queremos ser. Em nos defender daqueles que tentam nos oprimir e nos rebaixar. Em ter a coragem de cair e levantar. Em saber que temos inimigos, por que eles não são diferentes da gente. Odiamos os outros por que quando os olhamos vemos as nossas falhas refletida neles.

E a determinação é a mola propulsora que vai te fazer levantar todos os dias e saber que algo precisa ser feito. É o que vai te tirar da zona de conforto para enfrentar os seus desafios.

A primeira mudança vem de dentro, e quando estivermos bem por dentro, o mundo lá fora será apenas um reflexo, e isso vale para o contrário também.

Reescreva sua história, não esquecendo o passado, mas sim sabendo que tudo de certo e errado é um aprendizado que vamos levar de bagagem para o futuro. Reveja seus conceitos. Olhe para o seu futuro e veja quem você quer ser e comece a mudar agora. Seja essa pessoa agora. Não tenha medo ou vergonha de ser aquilo que já esta dentro de você.

A vida não é um caminho plano, ela tem buracos, espinhos, lagos e montanhas, e todos os dias passamos pelo mesmo caminho, porém com paisagens diferentes. Não viva apenas por viver, encare os desafios com a garra de quem esta aqui para vencer, para si vencer. E então você vai descobrir que a vida sempre te ofereceu muitas possibilidades de ser feliz, só você não viu.

Beijos no coração ❣

Fran Monteiro